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Sobre Blink, resenhas e Disk MTV.

Eu tenho problemas sérios com os botões do Tumblr.
Então, ontem ou anteontem o Blink voltou, ou disse que vai voltar, ou mandou a gente esperar o verão (=inverno) 2009 pra ver o que eles têm preparado pra gente, “e enquanto isso eu como a sua mãe”. Típico. Como falar de um momento histórico como esse? Eu posto um longo texto explicando tudo que o Blink significa e tudo que essa volta vai trazer de bom pra vida de tanta gente? Ou eu posto uma foto dos bons tempos, com aqueles 3 caras que não pensavam (aparentemente) em nada dessa merda de sucesso ou de música “pop” (creepy word…)? Ou um vídeo – All the Small Things quem sabe, toda aquela palhaçada… Ou um quote de música? Ou uma música inteira de uma vez? Assim como a resenha de um mangá que eu tento escrever faz uma semana mas não faz sentido nenhum quando eu começo a digitar, falar do Blink, exatamente como eu tô fazendo agora, nunca vai ter sentido completo ou explicar a mágica e o vício que é essa banda. Então, se você tá lendo isso, por favor desconsidere o que vem daqui pra frente.
Eu sou um pirralho em matéria de Blink – e em muitas outras coisas. Quando eu vi eles pela primeira vez eu devia ter uns 10 anos e era uma daquelas maratonas de clipes - mas pra mim, eles eram só mais uma banda da MTV. Tipo, a MTV já era dona deles – isso em 2001 ou 2002. Acho que só vi uma música nova do Blink quando eles lançaram o Blink-182, ou melhor dizendo, quando saiu o clipe de Feeling This e eu vibrei numa fúria de hormônios ao ver aquele monte de garotinhas em uniformes escolares rebolando. Vibrei menos do que deveria, diga-se de passagem. Mas ainda aí eu não via nada de especial, nada que destacasse aquela banda entre todas as outras… e obviamente, naquela época eu não podia sentir nenhum espírito punk…
Posso contar os singles; acho que foi Feeling This, I Miss You (sempre odiei essa música) e Always. Então em março ou abril de 2005 eles disseram que iam se separar… ou melhor, a apresentadora do Disk MTV disse. Nem era mais a Sarah, era uma loira alemã que tinha vencido o Caça VJ Coca-Cola, eu acho.
(A quantidade de “eu acho” desse texto prova minha inaptidão pra expressar os sentimentos de verdade, o mood no ar.)
E ela disse que o Blink ia se separar. Que eles simplesmente tinham anunciado que iam. Primeiro eu fiquei indignado; uma banda tão legal, o clipe deles tava no Disk desde a estréia… por que eles fizeram isso agora?
Fiquei com aquilo na cabeça e no outro dia cheguei no colégio e fui direto perguntar pros piá se eles tinham visto a notícia. Eu me lembro muito bem: a manhã tava nublada, o pátio do colégio tava meio vazio porque eu sempre chegava cedo, e eu disse:
- Capacete, tu viu que o Blink acabou?
… Silêncio.
- Eu vi no Disk, tu não viu não, Júnior?
… Algumas cabeças balançaram. E só. Mudaram de assunto.
PUTA QUE PARIU, O BLINK SE SEPAROU E ELES MUDARAM DE ASSUNTO! ELES TRATARAM TUDO COMO SE FOSSE MAIS UM DIA NORMAL!?
Nunca me esqueci daquela traição. Blink tinha acabado, e aparentemente ninguém ligava. Por que no auge da carreira “pop” deles eles tinham se separado sem dar maiores explicações? Nunca entendi nem quis entender. Nunca acreditei nem quis acreditar. Alguém conhece uma pessoa que tenha parado de ouvir Blink algum tempo depois que eles brigaram? Que enjoou da falta de música nova? Que, sei lá, cansou como eles pareceram ter cansado?
NINGUÉM. Não há ninguém no mundo inteiro que consiga parar de ouvir Blink, uma vez que comece. Eu sei disso porque, apesar de eles serem “uma banda morta”, sem chance ou previsão de voltar, eu comecei a escutar mais e mais músicas deles, a conhecer mais e mais CDs, a aprender mais e mais letras, a fazer mais e mais quotes, a cantar mais e mais alto.
Cantando pros mortos.. How rare.
Eu fui um dos muitos que culpou Tom, ignorou a musiquinha meia-boca do Angels and Airwaves, e ainda ontem falando com um amigo meu que o Blink ia apresentar o Grammy, a gente imitava uma discussão de Tom e Mark… Tom era a bichona temperamental que não queria ir pro estúdio gravar.
Também fui um dos muitos que enlouqueceu desde a primeira vez que escutou When your heart stops beating, e vi aquele clipe… holy crap, aquilo é bom pracarai.
E todo esse tempo, ignorando as direções cada vez mais opostas que o caminho desses caras tomava, ignorando o fato de o Travis passar seu tempo pagando de batera pra 1892171298127921 grupos de hip hop… eu e mais 30 milhões de pessoas no mundo, só contando informações do Last.fm, continuamos ouvindo Blink e dando pra ele o mesmo espaço da nossa (outra) banda preferida, ou do sucesso do momento. Como se um dia eles fossem voltar… Ou não. É muita pretensão dizer que a gente sabia. A gente só desejava que o dia ruim acabasse… e continuava escutando.
Mas por mais que eu tenha escutado nesse tempo, por mais que eu tenha visto gente obcecada e que teve a vida moldada por eles, por mais que eu veja quase duas gerações de adolescentes ligados por esse som, eu ainda me curvo diante dessa banda (ou não… se curvar diante daqueles três pervertidos é comportamento suicida), desse culto, desse fenômeno que eu nunca vou ser capaz de traduzir em palavras – nem em tantas palavras como eu já joguei aqui.
Eu só sei que existe essa força, e ela me fez blogar essa notícia, e encher o saco de quem tava no MSN, e escutar Online Songs ainda mais vezes do que eu escuto diariamente, e me fez perder o sono só pra variar, e ficar andando de um lado pro outro no quarto escuro, esmurrando as paredes de felicidade como o doente mental que eu sou. Hoje eu vi em algum lugar, Blink > vida. E eu não posso discordar… uma parte do que eu sou foi o Blink que me ajudou a ser. E o que eu vou ser amanhã? Talvez eles possam saber… talvez eles possam me ajudar.
Com toda essa neurose se espalhando pelo mundo nos próximos dias, eu tenho certeza que vai surgir muita gente gozando metros cúbicos com a volta do Blink, e vendo isso, vão surgir outros dizendo “VÁ TOMA NO CU, CÊS TÃO COMEMORANDO O KE SEUS FDP, QUEM VAI FAZER SUCESSO, GANHAR GRANA E COME MUIÉ NÃO SÃO VCS..”, é. Mas essa psicologia reversa-negativista só funciona com quem nunca sentiu a mágica do Blink (ui que gay), quem nunca parou pra olhar o que essa banda foi capaz de fazer. Como fazer eu pegar um caderno e escrever 4 páginas à lápis às 6 da manhã… pra digitar tuuuuuuudo isso e publicar quando eu ligar o PC amanhã – aliás, hoje. Ou, daqui a 15 minutos…
O tempo não importa pra nós, os blinkers.

and she said na, na, na, na, na…

Sobre shinigamis, pena de morte e carcereiros chineses.

estudar de noite é como estar em uma sala de aula saída de um seriado americano: o absurdo acontece. não que não tenha o tradicional pegador, a garota fácil, um aluno mais velho que só faz merda (LOL), alguém que estuda demais e vários que estudam de menos. que seja. esse não é meu assunto.
meu assunto é o assunto de ontem lá na sala, e não surpreendente vem de encontro a um manga e a realidade. [srsly mode on] Pena de morte é justo? sim, além de falar mais merda que a Dercy, a gente acha tempo pra entrar nessas questões. até ontem eu era a favor da pena de morte. então, nessa vibe de vestibular e “vamos fazer uma redação”, nossa professora leu uma de exemplo que não era milho azul, mas era boa mesmo, sobre por que a pena de morte é covarde e mesquinha. e pior que isso, é uma manobra a là pão e circo. alguém já parou pra pensar porque o povo chinês não se revolta e exige do governo uma mudança de atitude, mais alinhada com a democracia? ora, na China até os ladrões são mortos! a criminalidade, se não diminuída, é pelo menos punida. o criminoso não pode nem olhar pro carcereiro. e a população se sente segura, satisfeita.. vingada. pena de morte é a vingança da sociedade. é bárbaro, e é assumir que o nosso sistema de Justiça não serve pra nada. logo ele, uma das invenções mais antigas e complexas da História.
no manga Death Note, de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, um garoto rico, mimado e super-inteligente consegue um método onipresente, portanto sobrenatural, de matar, e começa a eliminar todos os criminosos de quem ele consegue informações. estupradores, assassinos, monstros ou apenas pessoas que se desviaram; centenas de milhares ele mata com o passar dos anos. a ditadura do medo se instala e as pessoas se corrigem pra não cometer crimes. os poucos policiais que não têm medo de enfrentar o Assassino e também morrer são manipulados, e veem a opinião pública se jogar contra eles. afinal, a criminalidade não diminuiu? afinal, os malvados não estão sendo punidos? afinal, não é um alívio? o manga deixa essa dúvida, e na reta final, dá a resposta, assustadora e provocante. o detetive-chefe do caso fala, com propriedade: “Se nós vencermos, então o Assassino é mau. Se ele vencer, então ele está no seu direito.”
mas, o detetive-chefe é ninguém menos que o próprio Assassino.

Sobre tumblarity, a blogosfera e conflitos humanos.

antes de começar esse post — e tag srsly já devidamente posta significa que eu vou tomar um rumo mimimi-sem-motivo nesse texto — vou fazer alguns quotes pra tentar aliviar meu lado.

Kid (quase-ídolo nerd da internet brasileira):

Por motivos que eu não sei explicar, há algo em mim que me faz me divertir ao ver gente se degladiando na internet, defendendo os brios com furor como se uma discussão em uma comunidade qualquer no orkut às duas da manhã de domingo fosse algo que mereça tal dispêndio de energia. E quanto mais irrelevante o motivo da briga melhor, porque isso ajuda a ilustrar o ponto de que se irritar por algo que acontece na internet é inerentemente fútil. É apropriado, então, que gente fútil se irrite e se disponha a brigar por motivos não-importantes. Ergo, a própria atitude de beligerância deles ajuda a provar o que eu tento falar - vocês deviam levar a internet (e a si mesmos) menos a sério.

Luke (ninguém. que você conheça.):

Você sabe que blogueiros ditos SÉRIOS definitivamente não podem ser encarados como tais quando se jogam no chão fazendo birra e dando chiliques histéricos ao perderem uma posição do ranking do BlogBlogs. A luta entre a burguesia e o proletariado da blogosfera brasileira só fica mais interessante a cada novo post, principalmente se este for top com os piores/melhores, ou um mapa, ou mais algum daqueles memes mongolóides do tipo CARDS DA BLOGOSFERA ou VIBRADORES SABOR BLOGUEIROS.

agora, as opiniões colhidas a respeito da função Tumblarity, aqui no Tumblr, e não relativas à blogosfera brasileira. eu prometo que a seguir eu linko tudo.

jaimeleighfairbrother:

the fundamental irony of tumblarity: I have enough followers that most posts will always get at least a couple notes. Ultimately, then, every time I publish a post my “score” increases. Theoretically, it follows that if I just keep posting and posting and posting and posting and posting the “score” would keep on increasing. Presumably, though, my followers would be pretty fucking annoyed—even as my Tumblarity increased. So, you know, basically it is a retardedly poor measure of anything meaningful. So there.

phampham:

FUCK TUMBLARITY. What’s the point?

hannahisdead:

If you don’t post once a minute you lose points. …are you fucking kidding me? I though tumblarity was bullshit to begin with, but seriously, what the fuck.

themattsmith:

Also, whose blog do I have to fuck to get a copy of the Tumblarity algorithm? Because I really don’t get it.

spareunderthemat:

Who truly doesn’t give a flying fuck about Tumblarity and thinks everyone who cares is FLAT OUT DUMB? Come sit next to me and be my friend.

cherrybitch:

and so my tumblarity drops, slowly, slowly, to numbers I wished I weighed. I’m tired of these fucking popularity games. I’m tired of seeing it that way.

ehem, vamos lá.

o ser humano é um animal competitivo. OKZ, todos os animais são — desde gatos e cachorros até leões, búfalos; mesmo antas devem competir pelo seu espaço quando alguma cara de… bem, cara de anta, vem beber água no seu riacho. ponto. isso é parte do instinto natural do ser humano e nunca vai desaparecer não importa que tipo de transformação moral/evolução/mutação com milho azul e gripe do porco a humanidade sofra nos próximos… em todos os anos. outro ponto. então pra qualquer lado que você olhe nos dias de hoje, ou na Idade da Pedra Fodida ou a 200 anos daqui através das bolas de cristal do Mr. M, você vai ver a mesma triste cena: ao menos duas pessoas lutando pra provar que um é melhor que o outro.

às vezes isso toma uma solução muito naturalmente: os dois indivíduos enchem de sopapos a cara um do outro e quem ficar de pé provou que é o melhor, pelo menos no braço. fim de história. o que me preocupa (LOL, não me preocupa nada) é quando essa luta toma proporções maiores, seja para o lado da carnificina física ou moral. quem mora em uma cidade grande e vê o que acontece num dia de final de campeonato entre duas torcidas — ambas competindo pela “sua” superioridade, pode falar sobre essa guerra-fria livre melhor do que eu. já a hecatombe moral, que parece não ser possível quando eu coloco as duas palavras juntas assim, acontece todos os dias em rodinhas de amigos, locais de trabalho, reuniões de igreja. pasmem!, as pessoas se odeiam dentro das igrejas. eu já vi. essa luta por uma posição superior, por provar alguma coisa que não gera prêmio nenhum e ninguém sabe bem a que vai levar além da satisfação pessoal, além de poder ser muito complexa (Fulana não gosta do Fulano mas é amiga da Beltrana que não pode deixar de ser amiga do Fulano porque namora o Ciclano que não tem nada contra o Fulano e também nada contra a Fulana, e nós não vamos magoar ninguém!) é muitas vezes silenciosa, e assim vem atravessando os séculos e se firmando como um fenômeno social inevitável. conflitos, choques. eles sempre acontecem.

sendo a internet — o mundo dos blogs e do “What are you doing?” — um fenômeno social (apesar do que seus avós dizem a respeito), era de se esperar que em algum momento alguém, talvez o ser com a personalidade mais fraca e a auto-estima mais baixa, procurasse uma maneira de provar sua superioridade NA REDE. sim, nas ondas da… web. ou nas teias da web, whatever. o resultado são episódios, verdadeiros episódios epilépticos, de gente que tenta provar ser melhor que os outros quando recebe ou não tantos mil acessos em sua página em um dia, ou ganha ou não tantos reais com banners e AdSense em um mês, e perde ou ganha tantos followers no seu twitter. eu resumo o fenômeno a uma só mão porque NADA DESSA MERDA TEM SENTIDO ALGUM.

quando o Tumblr transformou sua página de Atividade em Tumblaridade (WTF?), atribuindo um número a cada tumblr como se a plataforma fosse uma grande disputa de miniblogs por um número maior, esse mesmo fenômeno de histeria e divisão começou a acontecer aqui — e por isso eu falo nele agora. é uma contagem que ninguém entende, que sobe quando você posta, consegue mais “likes” nos seus posts ou novos followers, mas que só serve pra deixar todo mundo MUITO PUTO. enquanto pesquisava citações pra esse post, eu me deparei tanto com gente reclamando dos 100 pontos de Tumblaridade que perdeu de um dia pro outro, como se tivessem perdido um braço ou uma perna, como com gente MUITO PUTA com essa função sem sentido em todos os sentidos. o que me importa se minha Tumblaridade subiu ou desceu? isso não muda quem eu sou, no que eu acredito, do que eu gosto. se o Renan Calheiros, o maior sem-vergonha que já existiu entre os sem-vergonhas desse Brasil, tivesse um tumblr e ele estivesse 10 mil posições à frente do meu, então ele deixa de ser um corrupto e um filho da puta? ou ele passa a ser um corrupto legal? popular?! alguém me dê a resposta.

eu sei que eu não fui jornalístico em não ter postado aqui também citações de quem tá perdendo o sono por causa da Tumblaridade.. mas deu pra entender os dois lados, não deu? enquanto todos os títulos gritam “FUCK TUMBLARITY!”, são poucas as letras miúdas que dizem “isso não tem sentido algum..”. e se você tá aí rolando no tapete porque perdeu um seguidor ou teve menos de X babacas espiando sua vidinha de merda no blogspot ontem, VÁ SENTAR NUMA ROLA. obrigado.

Sem falta devem ser mortos

esse é a transcrição do texto que eu escrevi sobre preconceito sexual pra ajudar no projeto de Sociologia. são sete folhas à mão, cinco digitadas. aqui no tumblr minha eloquência não parece nada.

PRECONCEITO: “Conceito antecipado, opinião formada sem reflexão.”

Todos são iguais perante a lei, e não se pode criar nem privilégios nem desvantagens para nenhum indivíduo ou grupo social. Essa é a lei, é a tese da Justiça.

Diariamente, essa lei é desrespeitada de todas as maneiras, em diversos tipos de situações, e com consequencias às vezes muito pequenas na superfície, mas desastrosas para a vítima. Estrangeiros são espancados na Inglaterra. Mulheres são impedidas (sutilmente) de assumir posições de chefia em seus empregos, e quando assumem são vistas como incapazes. Lugar de mulher é em casa, mesmo que ela tenha faculdade. Quem não joga futebol, não gosta de carro e usa cabelo comprido, eu desconfio! Se você mora na favela é um criminoso. Se tem uma casa no melhor bairro da cidade, é playboy e mimado. Não há como vigiar nem como julgar adequadamente, por exemplo, situações de racismo, que no Brasil é um crime inafiançável. Não podemos exigir dos nossos políticos uma nova lei, porque eles só usam do poder em próprio benefício — todos. A sociedade, então, se divide e se organiza.
De um lado, pessoas engajadas socialmente protestam, vamos dizer, pelos direitos gays. Eles querem segurança, respeito, legalização de suas uniões… Conseguiram algo? De outro lado o preconceito cria raízes.
Se a sociedade não consegue mobilizar a Política, como pode a Justiça resolver uma situação complexa como essa?

Primeiro, vamos pensar na questão judicial. Se a justiça concedesse indenização moral a todos os homossexuais já agredidos moralmente, e mais os agredidos fisicamente, não seria isso um privilégio? Assim como a concessão de cotas para negros, com entrevistas para ajudar a definir a cor de sua pele (!), não vamos começar a chamar travestis para perguntar como se sentem quando saem à rua à noite? Se já sofreram preconceito? Se sentem-se injustiçados?
As respostas parecem óbvias, mas tribunais ideológicos e processos judiciais e novas leis não vão ajudar ninguém a se respeitar. Ninguém tem medo da Justiça do Brasil, e que bom! Uma ditadura do medo, com pena de morte e polícia sem lei é o pior que pode haver. É chamar a violência para as ruas — todas as ruas, agora.
A Justiça NÃO PODE criar leis “de proteção” para vítimas de preconceito sexual pois foge assim do seu princípio de não criar privilégios a ninguém. Ora, eu posso ser heterossexual, bem casado, trabalhador, homem-padrão com barriga de cerveja, e posso sofrer preconceito pelas roupas que uso. Pela minha cara. Pelo meu jeito de agir. Sim, eu sou quase o robô que eles querem que eu seja, mas eu falhei em alguma coisinha…
Sob essa ótica, todo preconceito é burro além de ilegal. Não somos todos diferentes? Por mais que tenhamos todos apenas nariz, boca e dois olhos, não existem uns seis bilhões de rostos diferentes? Eu desafio a Matemática a explicar.. ou não. Matemática é só fórmulas, não é mesmo? Que chata.
Como podemos criar um padrão de físico e de comportamento e impor esse padrão a milhares e milhares de pessoas?
O pior é que isso é feito, legalmente e sem nenhuma palavra (para depreciar ao menos) dos potentados. Nos países árabes, as mulheres são tratadas pior que cabeças de gado — afinal, também podemos usar os animais pra competições e exposições, mas entre os muçulmanos as mulheres só servem para comer. è indigno mostrar seu rosto, OK? Também não lave a sua bunda hoje, mantenha-se maluco e fedorento para Alá e Maomé. Ou quem você quiser dar sua bunda hoje, desde que escondido para não perder a sua cabeça! E não se esqueça, meu amigo muçulmano: quando a buceta de sua mulher ficar arregaçada demais pra te provocar prazer (se você sabe o que é isso). basta mandar um e-mail dizendo “Eu te dispenso” 3 vezes, e correr até a escola infantil mais próxima pra se explodir!
Esse é o estado do ser humano desvirtuado. Um bilhão de pessoas, exatamente. Agora, o que é pior? Um bilhão de alienados pela religião cometendo crimes todos os dias — crimes contra a pessoa humana — ou 500 deputados inúteis numa repartição com a fachada legal? Quinhentos filhos da puta que nadam no foro privilegiado e nas verbas de gabinete, brincam com a imprensa, mentem em CPIs e trabalham duas ou três vezes por semana! Com apoio da Justiça.

(Enquanto isso — enquanto eles tomam banho com champagne e você lê isso — eu devo te lembrar que mais um travesti foi espancado, mais uns três gays enrustidos foram descobertos e humilhados por suas famílias, duas lésbicas foram tratadas como duronas em seus locais de trabalho enquanto uma dupla de babacas fazia uma piada pelas costas delas, e alguém caiu em depressão por não entender sua própria opção sexual. Todas essas vidas destruídas, e você aí rindo dos muçulmanos! mas vamos em frente)

Analisado tudo isso, podemos dizer sem dúvida: recorrer à Justiça ou aos governantes para criar uma solução para o preconceito sexual (e aí se pode substituir a palavra por qualquer outro tipo de preconceito) é perda de tempo. Nós podemos pedir no máximo que os deputados criem o Dia da Bicha Vaiada, ou o Dia do Transexual Envergonhado no Aeroporto Mostrando seu Passaporte. Ou qualquer coisa que represente o movimento, certo? O Dia do Arco-Íris Usado na Parada Gay. O Dia das Plumas e Paetês. O Dia do Mecânico Sujo de Graxa que na Verdade é Gay. Nisso, os deputados e senadores podem ajudar.. e não se esqueça de cobrar uma postura sobre isso do seu prefeito comprador de votos e do seu vereador que manda o assessor atender à população!
Quando uma revindicação não ganha corpo no ramo da lei, ainda existe uma segunda alternativa dentro do poder — vamos tentar? Vamos levar a nossa causa para a Igreja Católica e para as ONGs.

Um bando de hipócritas! Uma corja de fingidos, de comedores de criança e de verbas públicas!
Quando os negros muito pobres queriam entrar na universidade, sabe o que eles fizeram? Nada. HA HA HA. Segundo você, negro só sabe fazer cagada. A verdade é, ele trabalhou feito um jumento pra pagar. Teve que trancar a matrícula no quarto semestre quando perdeu o emprego.
Então lá veio o Padre João da Cruz de Jesus, montou a Associação do Negão que quer Estudar, ganhou financiamento do governo (apesar da Associação do Negão ser uma Organização NÃO-GOVERNAMENTAL), atraiu atenção da mídia, falou em alguns canais de televisão que têm rabo preso com a Igreja… As cotas foram aprovadas no Supremo Tribunal Federal, que obedece ao Papa e ao Lula sem hesitar. Mas quando o negro muito pobre quis entrar na faculdade pública pelas cotas, descobriu que todos os brancos tinham se declarado pardos e os 30% de vagas já estavam preenchidos.
Um dia, se eu fosse dele, eu pegava alguns 38 com um amigo do meu amigo (que é barra-pesada), matava todos os brancos que eu visse dentro da faculdade e depois dava meu tiro de honra! Contra minha própria cabeça.
Então o JN vai dizer que o negão muito pobre tinha problemas mentais, coitado. As velas vão ser acesas todo ano pra lembrar.
Imagine se forem criadas calçadas pros casais gays saírem na rua, só pra eles! Uma cota de calçadas para homens abraçarem os homens que eles gostam, enquanto tomam sorvete. Um conto de fadas!

Como podemos esperar ajuda da Igreja, que sempre andou um nível próxima do poder estabelecido, chupando suas bolas em troca de favores?? Uma Igreja que obedece a uma bíblia que fala: "E quando um homem se deita com um macho assim como alguém se deita com uma mulher, ambos realmente fazem algo detestável. Sem falta devem ser mortos."
Levítico 20, versículo 13.
E depois eles dizem que são servos de Jesus! E que devemos amar uns aos outros. Desde que não se deite com homens, não se use camisinha, não pratique aborto, não fume nem beba. Nem mesmo falem, afinal falar sem controle pode ser um pecado! Existir deve ser um pecado.

Na Antiguidade, gregos acreditavam que o ser humano era perfeito, ou devia se esforçar em ser. Em suas obras, eles procuravam mostrar o melhor lado de si. Foram eles que lançaram a base de dezenas de ciências atuais, sem falar na democracia. Lá os políticos trabalhavam de graça, e se sentiam honrados por isso. Então, entre uma conversa e outra, os filósofos mais brilhantes de todos os tempos transavam, ali mesmo entre eles. Que engraçado! Não aparecia nenhum cristão com paus e pedras para matá-los. A sociedade não os condenava, não os perseguia. A diferença entre eles era aceita — no século IV a.C.
Então veio o Império Romano, veio Jesus, veio a legalização do “Cristianismo”, e a Igreja começou seu domínio. Durante quase 1500 anos, eles pregaram sem pudor que o homem — o servo, não os padres — é sujo, indigno de Deus e só pagando você pode entrar no céu. Lindo. Se eu te perguntar agora se você é perfeito, como você responderia?
Você responderia que o homem não pode ser perfeito, ou que está longe demais de ser. Você, que vive no século XXI, e se acha esperto, ainda é influenciado pela Igreja e pelas idéias da Idade Média. E agora que existe o computador e você sabe ler (naquela época era proibido), as igrejas te chamam com música gospel e alegria, e dizem que todos devem adorar a Deus.
Menos os gays, é claro. Eles devem ser mortos.
SEM FALTA DEVEM SER MORTOS.

Não, não podemos nos curvar às idéias tortas e sujas da Igreja. Nós somos seres pensantes, capazes, e se ninguém pode nos ajudar… nós fazemos a mudança. Você é perfeito! Se você tem dois braços, duas pernas e os olhos no lugar certo, não tem motivo pra dizer o contrário. Você pode reclamar, pode xingar, pode bater e pode fazer a lei. Que lei você fazer?
Quem você vai xingar?
Você pode escolher xingar o cara com jeito efeminado, ou o travesti que precisa se vestir assim pra se sentir bem, ou a mulher que simplesmente quer ficar com outras mulheres e não tá nem aí. Você pode xingar esses, e obedecer à idéia que a Igreja espalhou por aí, e que os juízes e políticos obedecem cegamente: ser diferente é mau. Você tem que ser igual, tem que ser como todos os seus amigos são, usar as mesmas roupas, falar do mesmo jeito, dizer pra todos que você é da mesma tribo. E se um dia você gostar de alguém que tem o mesmo que você no meio das pernas, Deus te salve! Corte sua própria garganta e vá viver com os anjinhos.
SEM FALTA DEVEM SER MORTOS.

Mas, você pode continuar saindo pra tomar uma cerveja com aquele seu amigo que tá morando com um cara estranho. Eu garanto, a chance é de 95% que ele não vai te agarrar. E você, pode sair pra fazer compras com sua amiga que sai com outras garotas. Ela não vai arrancar sua calcinha no provador, nem vai bater no seu namorado.
Ou, porque não, você pode sair com seu amigo pra fazer compras, e você garota pode tomar cerveja com ela.. Porque o que importa é fazer o que se quer, e não seguir o padrão, o que “todos fazem”…
A não ser que você seja um macaco mais do que um humano, um robozinho programado para rir das bichas, bater nos travestis e levantar peso quando chegar em casa.
Sem falta devem ser mortos os padrões, sem falta devem ser mortas as regras invisíveis que dizem qual roupa você deve vestir, onde você deve morar e quem você deve comer pra ser legal.
Legal é ser diferente… e eu não falo de ser um retardado mental, um paralítico ou um cego, mas que todos os que são perfeitos físico e mentalmente possam ser diferentes uns dos outros. Psicologicamente, há 11 identidades sexuais, 11 situações onde uma pessoa pode se encontrar sexualmente, e a Igreja com suas palavras não-faladas e a sociedade com sua fábrica sem descanso de máquinas diz que os homens só podem comer as mulheres e as mulheres só podem dar pros homens! Eu não queria ser mulher, hein. Vida sofrida.
Eles dizem que só existe um Deus (ou seriam 3?), só um caminho, só um jeito certo de agir… Eles nem dizem e já deixam dito. Então uma menina começa a gostar de outra e tem medo de falar e de largar o namorado que ela ainda gosta, mas não o suficiente. Ela simplesmente se apaixonou por outra, isso não acontece todo dia? Se as pessoas não se apaixonam, então, essa história de que a gente tem uma coisa meio nojenta chamada cérebro na cabeça, controlando nossas emoções, é invenção dos comunistas pra tomar o mundo.

O SER HUMANO PRECISA SE AFIRMAR COMO INDEPENDENTE E LIVRE, um animal que deixou de ser animal e tem capacidade de pensar e de refletir. O homem sabe que sabe, mas não sabe o que fazer com o saber. O homem tem emoções que não pode negar — o sexo é uma delas —, mas não podemos nos entregar pra raiva, pra sede de sangue, antes de parar pra pensar. O leão que mata não pensa “Será que essa pessoa que eu vou devorar não tem família”… E aquele que discrimina, será que pensa?
Criar leis que protejam a diferença, as diversas identidades sexuais, ou usar de ONGs e do poder de gente sem-vergonha e hipócrita, ou apelar pra falsos líderes, ou organizar uma parada gay que é mais uma banalização da sexualidade do que um protesto… Isso não é reagir.
O preconceito só tem fim quando todos nós nos libertamos de pensamentos que os outros colocaram na nossa cabeça sobre a vida, sobre fazer o que se quer, sobre o certo e o errado, sobre o que é importante pra você. Você deixaria eu dizer que você deve se preocupar primeiro com os mendigos, ao invés de se alimentar? Mas você deixa eles dizerem pra você que o amor é só entre um homem e uma mulher, e que não nascem mulheres que se sentem homens, e que não há gente em conflito consigo mesmo. Eles te dizem, e você para de aceitar o que era aceito 25 séculos atrás. Você dá o dízimo, paga o imposto, bate na bicha. Essa é tua rotina.

Ser humano é respeitar o outro… Ele não vai te fazer mal, então porque interferir na vida dele? Quando um não quer dois não brigam. Você vai começar o desentendimento pra quê, então? Vá comer sua mulher se você quer, e deixe cada um na sua.
Sem falta devem ser mortos os preconceitos. Sem falta você deve pensar antes de julgar os outros, antes de rir de alguém, antes de cometer uma atitude que é do tempo das cavernas.. Preconceito acaba em violência, e a violência tem que acabar. Se não por você, pela segurança dos seus filhinhos viciados em Danoninho e concebidos por papai-mamãe.
Ninguém prova que é bom batendo nos outros, falando mal, desprezando. O homem de verdade é aquele que trata direito todos a sua volta, que toma suas decisões com responsabilidade, que não tem medo de falar o que pensa e fazer o que é preciso. Esse é o homem que vai comandar uma família, ou vai ser o melhor no seu emprego, ou vai ser elogiado quando passar na rua. Elogiar é que é bom.

Por último, vamos limpar bem o conceito. A diferença, o “eu vou fazer o que EU quero”, não é sair na rua usando uma roupa indiana só porque deu vontade. É apenas coragem. Coragem de falar diferente, de andar com quem você se dá, de vestir o que se quer, de reclamar quando ver uma injustiça. Quem somos nós se não podemos mudar o rumo do mundo? Se não podemos nem levantar a voz… somos insignificantes.
Pode parecer bom unir as pessoas por semelhança, mas isso só cria uma falsa sensação de força. A força verdadeira é o caráter, e está dentro de cada um. Quem é um gay no meio de uma parada de um milhão? Um nada. E quem é um gay que senta na mesa do bar com outro e pede o que quer beber, sem se sentir menor? Esse é alguma coisa, esse tem bolas. Não se mede a força de um milhão somando um por um… se escolhe alguém qualquer e se pergunta se ele tem coragem.
E você, que tem coragem de maltratar um ser humano baseado apenas nos sentimentos dele, tem coragem de quê mais? De mais nada, seu merdinha! Tu é um cagalhão que cai fora quando a coisa fica difícil. É por tua causa que o país não muda.. tanta gente sofre.

Sem falta devem ser mortos a covardia e o comodismo. Eles são irmãos do preconceito, não são? Preconceito alimenta burrice, alimenta selvageria. Reflexão e respeito aos outros alimenta união, coragem, sucesso. Não, eu nunca vou respeitar os muçulmanos — eles não respeitam a humanidade tampouco suas mulheres. Não, eu nunca vou respeitar os padres imundos que se fazem de santos e são amantes do dinheiro e do prazer, do sexo sujo de verdade. Eu nunca vou respeitar os hipócritas, os fracos, os preconceituosos. Mas se eu não sair por aí batendo neles, talvez eles mudem, me respeitem, respeitem a si mesmos, e a gente comece a conversar. Permitam-me esses últimos preconceitos, que são contra animais vestidos de gente e não contra pessoas com sentimento — esses eu não tenho mais. E você?
Tá na hora de ser gente, de entender que existe A, B, C, D, E, e cada um fica com a alternativa que quer. A vida não é uma prova de V ou F. Chance de escolha — todos têm que ter. E eu te peço pra escolher o respeito ou a briga; a amizade mesmo que distante ou a selvageria, a idiotice, a palavra que botaram na tua cabeça desde que tu nasceu. Escolha. E viva o alternativo, viva o novo, viva aquele robozinho que saiu com a pintura errada no meio da linha de produção. Que aquele robozinho diferente e descolado possa ser você, e ganhe vida pra falar o que tiver na cabeça…

Excuse my harsh language…

thatjeffreykid:

backseatgoodbye:

chadsugg:

but I just found out Proposition 8 was upheld by the California Supreme Court.
I don’t really have much to put into this thought other than, FUCK PROPOSITION 8. I can’t believe this shit is still happening in the country I live in. It’s the most hypocritical nonsense I’ve ever witnessed. I mean, really, is it that hard to recognize equal rights?

By the way, I just found a photo of the idiotic bastards that voted 6-1 to keep the proposition… you can see the photo @ 030409-ca-supreme-court.jpg. Please take notice that every single one of them is an out-of-date stingy old asshole stuck in the days when the could still get away with making people of different color sit in a different section of the bus. And only one of these people in the photo is smiling. I’d be willing to be a large amount of money that the man smiling is the only one that voted against this, all the others are too pissed that their own lives are stuck in the past to even remember what a smile is.

Seriously, people, it’s 2009! Grow up and realize that there are people that don’t believe in the same things as you. Just because someone doesn’t have the same skin color as you, isn’t attracted to the same gender as you, didn’t come from the same part of this earth as you, doesn’t mean that they are evil. Seriously, when the fuck is everyone going to realize we’re ALL human beings. Equal rights for fuck’s sake, equal fucking rights.

(By the way, this is coming directly from me, a straight individual… and I’m mad as hell about all of this, so I can’t even begin to imagine how furious those of you in the gay community are. I apologize for the actions of the people in our country that are still living in the past, please understand that there are many many people that do NOT agree with ignorant acts like Proposition 8.)

We live in a world that just told people who love each other they can’t get married because they will destroy marriage and the fabric of our society. We live in a world where Hitched or Ditched just premiered on Primetime Network Television. FFFFUUUUUUUUU

Albert Einstein (via einsteinsayswhat)

6300

páginas de conteúdo no meu Tumblr. e os tumblrs brasileiros foram criados antes dos estrangeiros.
sério, mesmo a uma velocidade de 30 ou 40 páginas por dia, eu não esperava isso tudo.