Sobre Blink, resenhas e Disk MTV.
Eu tenho problemas sérios com os botões do Tumblr.
Então, ontem ou anteontem o Blink voltou, ou disse que vai voltar, ou mandou a gente esperar o verão (=inverno) 2009 pra ver o que eles têm preparado pra gente, “e enquanto isso eu como a sua mãe”. Típico. Como falar de um momento histórico como esse? Eu posto um longo texto explicando tudo que o Blink significa e tudo que essa volta vai trazer de bom pra vida de tanta gente? Ou eu posto uma foto dos bons tempos, com aqueles 3 caras que não pensavam (aparentemente) em nada dessa merda de sucesso ou de música “pop” (creepy word…)? Ou um vídeo – All the Small Things quem sabe, toda aquela palhaçada… Ou um quote de música? Ou uma música inteira de uma vez? Assim como a resenha de um mangá que eu tento escrever faz uma semana mas não faz sentido nenhum quando eu começo a digitar, falar do Blink, exatamente como eu tô fazendo agora, nunca vai ter sentido completo ou explicar a mágica e o vício que é essa banda. Então, se você tá lendo isso, por favor desconsidere o que vem daqui pra frente.
Eu sou um pirralho em matéria de Blink – e em muitas outras coisas. Quando eu vi eles pela primeira vez eu devia ter uns 10 anos e era uma daquelas maratonas de clipes - mas pra mim, eles eram só mais uma banda da MTV. Tipo, a MTV já era dona deles – isso em 2001 ou 2002. Acho que só vi uma música nova do Blink quando eles lançaram o Blink-182, ou melhor dizendo, quando saiu o clipe de Feeling This e eu vibrei numa fúria de hormônios ao ver aquele monte de garotinhas em uniformes escolares rebolando. Vibrei menos do que deveria, diga-se de passagem. Mas ainda aí eu não via nada de especial, nada que destacasse aquela banda entre todas as outras… e obviamente, naquela época eu não podia sentir nenhum espírito punk…
Posso contar os singles; acho que foi Feeling This, I Miss You (sempre odiei essa música) e Always. Então em março ou abril de 2005 eles disseram que iam se separar… ou melhor, a apresentadora do Disk MTV disse. Nem era mais a Sarah, era uma loira alemã que tinha vencido o Caça VJ Coca-Cola, eu acho.
(A quantidade de “eu acho” desse texto prova minha inaptidão pra expressar os sentimentos de verdade, o mood no ar.)
E ela disse que o Blink ia se separar. Que eles simplesmente tinham anunciado que iam. Primeiro eu fiquei indignado; uma banda tão legal, o clipe deles tava no Disk desde a estréia… por que eles fizeram isso agora?
Fiquei com aquilo na cabeça e no outro dia cheguei no colégio e fui direto perguntar pros piá se eles tinham visto a notícia. Eu me lembro muito bem: a manhã tava nublada, o pátio do colégio tava meio vazio porque eu sempre chegava cedo, e eu disse:
- Capacete, tu viu que o Blink acabou?
… Silêncio.
- Eu vi no Disk, tu não viu não, Júnior?
… Algumas cabeças balançaram. E só. Mudaram de assunto.
PUTA QUE PARIU, O BLINK SE SEPAROU E ELES MUDARAM DE ASSUNTO! ELES TRATARAM TUDO COMO SE FOSSE MAIS UM DIA NORMAL!?
Nunca me esqueci daquela traição. Blink tinha acabado, e aparentemente ninguém ligava. Por que no auge da carreira “pop” deles eles tinham se separado sem dar maiores explicações? Nunca entendi nem quis entender. Nunca acreditei nem quis acreditar. Alguém conhece uma pessoa que tenha parado de ouvir Blink algum tempo depois que eles brigaram? Que enjoou da falta de música nova? Que, sei lá, cansou como eles pareceram ter cansado?
NINGUÉM. Não há ninguém no mundo inteiro que consiga parar de ouvir Blink, uma vez que comece. Eu sei disso porque, apesar de eles serem “uma banda morta”, sem chance ou previsão de voltar, eu comecei a escutar mais e mais músicas deles, a conhecer mais e mais CDs, a aprender mais e mais letras, a fazer mais e mais quotes, a cantar mais e mais alto.
Cantando pros mortos.. How rare.
Eu fui um dos muitos que culpou Tom, ignorou a musiquinha meia-boca do Angels and Airwaves, e ainda ontem falando com um amigo meu que o Blink ia apresentar o Grammy, a gente imitava uma discussão de Tom e Mark… Tom era a bichona temperamental que não queria ir pro estúdio gravar.
Também fui um dos muitos que enlouqueceu desde a primeira vez que escutou When your heart stops beating, e vi aquele clipe… holy crap, aquilo é bom pracarai.
E todo esse tempo, ignorando as direções cada vez mais opostas que o caminho desses caras tomava, ignorando o fato de o Travis passar seu tempo pagando de batera pra 1892171298127921 grupos de hip hop… eu e mais 30 milhões de pessoas no mundo, só contando informações do Last.fm, continuamos ouvindo Blink e dando pra ele o mesmo espaço da nossa (outra) banda preferida, ou do sucesso do momento. Como se um dia eles fossem voltar… Ou não. É muita pretensão dizer que a gente sabia. A gente só desejava que o dia ruim acabasse… e continuava escutando.
Mas por mais que eu tenha escutado nesse tempo, por mais que eu tenha visto gente obcecada e que teve a vida moldada por eles, por mais que eu veja quase duas gerações de adolescentes ligados por esse som, eu ainda me curvo diante dessa banda (ou não… se curvar diante daqueles três pervertidos é comportamento suicida), desse culto, desse fenômeno que eu nunca vou ser capaz de traduzir em palavras – nem em tantas palavras como eu já joguei aqui.
Eu só sei que existe essa força, e ela me fez blogar essa notícia, e encher o saco de quem tava no MSN, e escutar Online Songs ainda mais vezes do que eu escuto diariamente, e me fez perder o sono só pra variar, e ficar andando de um lado pro outro no quarto escuro, esmurrando as paredes de felicidade como o doente mental que eu sou. Hoje eu vi em algum lugar, Blink > vida. E eu não posso discordar… uma parte do que eu sou foi o Blink que me ajudou a ser. E o que eu vou ser amanhã? Talvez eles possam saber… talvez eles possam me ajudar.
Com toda essa neurose se espalhando pelo mundo nos próximos dias, eu tenho certeza que vai surgir muita gente gozando metros cúbicos com a volta do Blink, e vendo isso, vão surgir outros dizendo “VÁ TOMA NO CU, CÊS TÃO COMEMORANDO O KE SEUS FDP, QUEM VAI FAZER SUCESSO, GANHAR GRANA E COME MUIÉ NÃO SÃO VCS..”, é. Mas essa psicologia reversa-negativista só funciona com quem nunca sentiu a mágica do Blink (ui que gay), quem nunca parou pra olhar o que essa banda foi capaz de fazer. Como fazer eu pegar um caderno e escrever 4 páginas à lápis às 6 da manhã… pra digitar tuuuuuuudo isso e publicar quando eu ligar o PC amanhã – aliás, hoje. Ou, daqui a 15 minutos…
O tempo não importa pra nós, os blinkers.
and she said na, na, na, na, na…